Um operário da Arte

Um misto de feli­ci­dade e fris­son eu senti com o con­vite pra escre­ver no blog da Loja Ana Botafogo. Se de um lado é senso comum que Ana é uma das mai­o­res artistas/interpretes/bailarinas da atu­a­li­dade, por outro sou réu con­fesso, total­mente tendencioso…

Eu e ela somos pra­ti­ca­mente famí­lia. Além de divi­dir­mos os pal­cos há anos, a con­vi­vên­cia de horas de ensaio árduo e o suor que o tra­ba­lho de um bai­la­rino pro­fis­si­o­nal exige, nos apro­xi­mou pra muito além de uma rela­ção cor­dial entre dois pro­fis­si­o­nais. Temos a cum­pli­ci­dade, o con­forto e a ale­gria que as boas rela­ções tra­zem. Daí minha feli­ci­dade e o tal fris­son, fri­o­zi­nho no estô­mago.
Me deixa muito feliz tam­bém o fato de poder tro­car idéias com os lei­to­res desse blog, e apre(e)nder com a troca..! Falar das nos­sas expe­ri­ên­cias, vivên­cias, sen­sa­ções. Saber um pouco de você, que está con­for­ta­vel­mente ins­ta­lado ai do outro lado lendo esse texto. Não é fascinante?

Mais que um artista, cos­tumo dizer que sou um ope­rá­rio da Arte, e como tal tudo o que diz res­peito à sen­si­bi­li­dade me inte­ressa. Tudo o que fala do humano, dos sen­ti­men­tos, con­tra­di­ções e bele­zas da vida me toca. E tenho abso­luta cer­teza de que como eu mui­tas outras pes­soas têm his­tó­rias inte­res­san­tís­si­mas pra divi­dir. Será uma ale­gria mos­trar um pouco das vivên­cias pro­fis­si­o­nais, minhas andan­ças pelo mundo cum­prindo meu ofí­cio, minha sina de artista. Pois sem som­bra de dúvida tudo o que sou passa por esse lugar, o ser artista, e o  que isso me pos­si­bi­li­tou. E não foi pouco. Conheci mui­tos luga­res pelo mundo, aprendi lín­guas e tra­ba­lhei com gran­des pro­fis­si­o­nais. E tudo, abso­lu­ta­mente tudo, gra­ças ao meu ofí­cio de artista…

É ou não é um grande pri­vi­le­gio? Lá se vão quase trinta anos que essa estrada pro­fis­si­o­nal come­çou, quando eu con­tava dezes­seis anos de idade, junto ao Ballet Teatro Guaira, em Curitiba. De lá pra ca nunca dei­xei de tra­ba­lhar em cima de um palco como artista, seja dan­çando, can­tando ou repre­sen­tando. Foram tan­tos luga­res, com­pa­nhias, con­ti­nen­tes, coreó­gra­fos, dire­to­res e com­pa­nhei­ros que con­tri­buí­ram, cada qual a sua maneira, pra for­mar a pes­soa e o cará­ter que tenho hoje.

Trago tam­bém a feli­ci­dade, a ale­gria, a rea­li­za­ção de poder, todos os dias con­ti­nuar sendo um pro­fis­si­o­nal das Artes. Isso é como ar pros meus pul­mões, sopro de vida, um estí­mulo mara­vi­lhoso e mágico. Acho que essa ale­gria e esse pri­vi­lé­gio podem ser divi­di­dos e dar alguns bons fru­tos.
Tudo isso dito, sintam-se à von­tade pra comen­tar, diva­gar, escre­ver. Pois tenho cer­teza, seja qual for a sua “arte”, ela con­tri­buirá pra que todos nós seja­mos pes­soas melho­res e mais sen­sí­veis às neces­si­da­des alheias. Nos tor­nando sem­pre pes­soas mais ante­na­das, mais gen­tis e com muito “espaço de mano­bra”, que é de ver­dade um grande talento. Tudo em nome da Arte, em nome da dig­ni­dade e da beleza da vida.

Um grande abraço afe­tu­oso e até breve,
Manoel Francisco.

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