Ensino do ballet para adultos: Considerações – 7ª parte

Continuando as con­si­de­ra­ções sobre a impor­tân­cia dos exer­cí­cios de uma aula de bal­let, minha pro­posta nesta pos­ta­gem é expli­car sobre o bat­te­ment tendu jeté e o grand bat­te­ment jeté na barra.

Battements ten­dus jetés são bati­men­tos esti­ca­dos lan­ça­dos, e que devem ser exe­cu­ta­dos com muita aten­ção e pre­ci­são. Algumas esco­las cha­mam este exer­cí­cio de bat­te­ment ten­dus glis­sés, ou bati­men­tos esti­ca­dos des­li­za­dos. Como neste exer­cí­cio os lan­ça­men­tos devem ser des­li­za­dos, os nomes para mim não fazem dife­rença. Nas minhas aulas, refiro-me a eles como bat­te­ments jetés.

As infor­ma­ções dadas nos bat­te­ments ten­dus, que fala­mos na pos­ta­gem ante­rior, devem ser man­ti­das, tais como a manu­ten­ção da rota­ção externa iso­me­tri­ca­mente durante todo o exer­cí­cio e a pelve neu­tra. O peso do corpo deve estar na perna de base, para que a outra perna possa trabalhar.

Nos bat­te­ments jetés, a perna é lan­çada com vigor a uma altura de 30º a 45º, man­tendo o des­li­za­mento dos dedos pelo chão até a com­pleta plan­ti­fle­xão (ima­gem), lembrando-se de man­ter sem­pre os pés em ever­são (ima­gem). Acho muito impor­tante fixar a altura para que o aluno não lance a perna sem con­trole. Particularmente, uti­lizo a perna na altura de 30º nos jetés e deixo para uti­li­zar a altura de 45º nos fon­dus. Os dedos dos pés devem estar com­ple­ta­mente esti­ca­dos antes de elevar-se a perna, ou seja, para fazer um bat­te­ment tendu jeté cor­re­ta­mente, deve-se rea­li­zar pre­vi­a­mente um bom bat­te­ment tendu, o que demons­tra como é coe­rente uma aula de ballet.

No retorno da perna para a posi­ção fechada, seme­lhante ao bat­te­ment tendu, deve-se nova­mente des­li­zar os dedos e, com isso, fazer um tra­ba­lho de con­tato cons­tante com o chão. Preservar as obser­va­ções dos bat­te­ments ten­dus, como come­çar com alu­nos ini­ci­an­tes na 1ª posi­ção dos pés à frente e ao lado, dei­xar para tra­ba­lhar a perna atrás quando o aluno esti­ver mais cons­ci­ente da dis­so­ci­a­ção dos mem­bros infe­ri­o­res em rela­ção à pelve e, assim que pos­sí­vel, evo­luir para as posi­ções mais fecha­das (3ª e 5ª), são de extrema impor­tân­cia para um tra­ba­lho cor­reto.  Mantenho a ori­en­ta­ção rela­tiva às dire­ções das pon­tas dos dedos à frente, ao lado e atrás, na dire­ção do cal­ca­nhar da perna de base, res­pei­tando sem­pre os limi­tes da sua rota­ção externa máxima. Como nos bat­te­ments ten­dus, acen­tu­a­ção do bat­te­ment tendu jeté é dire­ci­o­nada para den­tro, bus­cando retor­nar à posi­ção fechada. Porém, nada impede que o pro­fes­sor possa tra­ba­lhar os acen­tos para fora e, logo que puder uti­li­zar estes exer­cí­cios de mem­bros infe­ri­o­res com a coor­de­na­ção das cabe­ças e dos bra­ços com os mem­bros infe­ri­o­res, agre­gando mais bri­lho ao trabalho.

Os bat­te­ments jetés devem ser fei­tos após bat­te­ments ten­dus na barra e vão acom­pa­nhar o tra­ba­lho diá­rio. As for­ças cor­re­tas uti­li­zada nes­tes lan­ça­men­tos vão dar vigor, ale­gria e agi­li­dade aos sal­tos e aos des­lo­ca­men­tos dos bailarinos.

Já os grand bat­te­ments ou gran­des bati­men­tos seguem os mes­mos pre­cei­tos do bat­te­ment jetés, porém são fei­tos ao final da barra, quando o corpo está bem aque­cido. Neste momento, a perna deve subir a altura de 90º ou mais. Deve-se ter muita aten­ção à base e à manu­ten­ção do tronco evi­tando “sola­van­cos”. Na minha expe­ri­ên­cia, obser­vei que não é pro­du­tivo fazer gran­des alon­ga­men­tos antes dos gran­des bati­men­tos, pois alguns bai­la­ri­nos mais sen­sí­veis podem se lesi­o­nar, já que é um momento de uso de grande força mus­cu­lar. O grande bati­mento pre­para os mem­bros infe­ri­o­res para os gran­des lan­ça­men­tos, ou gran­des sal­tos no cen­tro, sendo impres­cin­dí­vel um tra­ba­lho cons­ci­ente do bai­la­rino na sua exe­cu­ção, visando alcan­çar gran­des ele­va­ções e um bom bal­lon*.

Na pró­xima pos­ta­gem, pre­tendo falar sobre os ronds de jam­bes e os fon­dus, para con­ti­nuar a enfa­ti­zar que o tra­ba­lho na barra é essen­cial para a melhora do desem­pe­nho do bailarino.

* Segundo a mes­tra Agrippina Vaganova, o termo bal­lon é uma habi­li­dade de um dan­ça­rino em man­ter no ar uma pose, dando a sen­sa­ção de que o bai­la­rino fica parado no ar, per­ma­ne­cendo ali como se esti­vesse suspenso.

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