Ensino do ballet para adultos: Considerações – 8ª parte

Como já falei aqui inú­me­ras vezes, sou uma fã ardo­rosa da téc­nica clás­sica e suas reper­cus­sões no corpo e na mente dos seus pra­ti­can­tes. Retomando os temas rela­ti­vos ao ensino do bal­let para os adul­tos, um dos meus focos de tra­ba­lho, esco­lhi, nesta pos­ta­gem, falar sobre o tra­ba­lho de coor­de­na­ção nas aulas de bal­let. Coordenar o corpo (tronco, bra­ços, per­nas, cabeça) com a música, e dar sen­tido ao movi­mento, con­si­dero um esforço sem com­pa­ra­ção. Nenhum outro tra­ba­lho físico que conheço tem esta peculiaridade.

Obviamente, não vou con­se­guir expres­sar aqui todo o tra­ba­lho de coor­de­na­ção que é apli­cado em uma aula de bal­let. Por isso, optei por exem­pli­fi­car como ensino a coor­de­na­ção dos port de brás com o tra­ba­lho de per­nas nos pliés que vão dar o refi­na­mento do exer­cí­cio, como já falei na minha quinta pos­ta­gem para este blog. Eu peço aos meus alu­nos que façam os exer­cí­cios da barra dos pliés e fon­dus sem­pre coor­de­nando os mem­bros supe­ri­o­res com os mem­bros infe­ri­o­res e a cabeça.

Para prin­ci­pi­an­tes que já pas­sa­ram por um período de frente para a barra, aten­tos ape­nas ao tra­ba­lho dos mem­bros infe­ri­o­res, ao se posi­ci­o­nar de lado para a barra, eu ori­ento para que façam, por exem­plo, o seguinte exer­cí­cio. Na pri­meira posi­ção dos pés: Um demi plié em qua­tro tem­pos, um elevé em qua­tro tem­pos, repete o demi plié em qua­tro tem­pos, mais um degagé ao lado em dois tem­pos e desce na segunda posi­ção dos pés em dois tem­pos e repete tudo na segunda posi­ção dos pés. Na pre­pa­ra­ção musi­cal, os bra­ços saem da pre­pa­ra­tó­ria (ou bras bas) para a segunda posi­ção dos bra­ços, pas­sando pela pri­meira com a cabeça acom­pa­nhando o cami­nho do braço. Antes de ini­ciar o demi plié, o ante­braço que está na segunda posi­ção faz uma pro­na­ção (allongé), a cabeça acom­pa­nha este movi­mento junto com uma leve sus­pen­são do corpo (uma ins­pi­ra­ção). Então, as per­nas come­çam a fle­tir e o braço chega na pre­pa­ra­tó­ria coin­ci­dindo com o máximo de fle­xão do joe­lho e, ao esten­der as per­nas, o braço vai para a pri­meira posi­ção. No élevé, o braço abre para a segunda posi­ção (lem­brando que a cabeça está acom­pa­nhando todo o movi­mento dos bra­ços). Repete o demi-plié como já foi expli­cado e, no degagé o braço abre na segunda posi­ção e per­ma­nece lá para repe­tir o exer­cí­cio na segunda posi­ção dos pés.

Tudo isso, logi­ca­mente, den­tro do tempo musi­cal esti­pu­lado pelo pro­fes­sor e ainda com um con­trole de cada movi­mento.  Muita coisa? Não. Ainda é o começo. À medida que o tra­ba­lho vai evo­luindo, se faz neces­sá­rio expres­sar o pra­zer da exe­cu­ção do passo. É aí que apa­rece o cará­ter artís­tico de cada um. Sugiro mais tarde um certo “atraso” da cabeça e dos bra­ços em rela­ção às per­nas para dar um efeito de suavidade.

Enfim, muito tra­ba­lho a fazer, não? Acredito que os apai­xo­na­dos por esta téc­nica gos­tam tam­bém des­tes desa­fios diá­rios que o bal­let pro­põe. Assim as con­quis­tas ficam mais “saborosas”.

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