Ensino do ballet para adultos: Considerações – 11ª parte

Nesta pos­ta­gem quero falar um pouco da impor­tân­cia das esco­las de dança no Brasil. Sim, as esco­las e aca­de­mias de dança espa­lha­das por esse país afora. Esses locais onde a maior parte de todos nós ini­ciou o con­tato com a dança e que hoje vejo ser mui­tas vezes depreciado.

De uns tem­pos para cá tenho ouvido muito fra­ses do tipo: Ah! Vai fazer uma gra­du­a­ção em dança para dar aula em esco­li­nha de balé? Ou ainda: Também, se for­mou naquela aca­de­mi­a­zi­nha.… ou então: Para quê fazer gra­du­a­ção em dança? Não vai ser­vir para nada mesmo! Enfim, fra­ses pejo­ra­ti­vas que indu­zem ao pen­sa­mento de que as esco­las ou aca­de­mias de dança são locais com pouca qua­li­dade. Que triste! Pois, como disse no pará­grafo ante­rior, a mai­o­ria dos pro­fis­si­o­nais da dança neste país come­çou nes­tes sítios, fora alguns pou­cos pri­vi­le­gi­a­dos que pude­ram ini­ciar seus estu­dos em esco­las oficiais.

Eu, par­ti­cu­lar­mente, me lem­bro da aca­de­mia que estu­dei com ale­gria e sau­da­des de um tempo gos­toso, no qual, além de ter apren­dido a dan­çar e ensi­nar, fiz gran­des e sóli­das ami­za­des. Acredito que a maior parte delas ainda são assim. Se não fosse bom fazer parte de uma aca­de­mia ou escola de dança, não tería­mos inú­me­ros fes­ti­vais de dança cheios de alu­nos inte­res­sa­dos, orga­ni­za­dos e cheios de ener­gia. Como se diz, bombando!

Portanto, não con­sigo enten­der por­que esses con­cei­tos pejo­ra­ti­vos sobre as esco­las de dança estão sur­gindo. Guardando as devi­das pro­por­ções, todas as esco­las de dança, penso eu, pre­ten­dem ensi­nar da melhor forma pos­sí­vel den­tro das pos­si­bi­li­da­des de cada uma. Para meus alu­nos de gra­du­a­ção, ou alu­nos de esco­las ou aca­de­mias onde tra­ba­lho, insisto em valo­ri­zar estes locais. Fico feliz quando pro­fes­so­res e donos de esco­las entram para a gra­du­a­ção em dança, pois vão poder ampliar imen­sa­mente seus conhecimentos.

Sendo bem espe­cí­fica em rela­ção ao pro­fes­sor de dança, nosso uni­verso tem uma demanda dife­ren­ci­ada da mai­o­ria das outras pro­fis­sões. Começamos muito cedo a tra­ba­lhar seri­a­mente como artis­tas e nos tor­na­mos mui­tas vezes pro­fes­so­res antes mesmo de ter­mi­nar­mos qual­quer gra­du­a­ção. Ou seja, somos pro­fis­si­o­nais e alu­nos ao mesmo tempo. E como ainda não existe a regu­la­men­ta­ção de que seja­mos gra­du­a­dos em dança para leci­o­nar­mos em esco­las livres, mui­tas vezes os pro­fes­so­res dão aulas ape­nas para sobre­vi­ver e não pro­cu­ram apren­der téc­ni­cas de ensino, o que real­mente não é bom. São pro­ble­mas que temos e que pre­ci­sa­mos reco­nhe­cer para poder melhorar.

O mundo está cada vez mais glo­ba­li­zado e espe­ci­a­li­zado. A dança acom­pa­nha a soci­e­dade em que vive. Precisamos somar e não divi­dir. Que nos­sas esco­las e aca­de­mias de dança pos­sam cres­cer e melho­rar a cada dia e que pos­sa­mos aju­dar a for­ta­le­cer esses locais, pois afi­nal foram neles que nós, pro­fis­si­o­nais de dança, demos os pri­mei­ros pas­sos de quem somos hoje. Longa vida às esco­las e aca­de­mias de dança!

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