Ensino do ballet para adultos: Considerações – 5ª parte

Continuando as minhas con­si­de­ra­ções sobre a impor­tân­cia dos exer­cí­cios de uma aula de bal­let, com­par­ti­lho com vocês algu­mas opi­niões que con­si­dero rele­van­tes sobre o tra­ba­lho do bat­te­ment tendu na barra. Já dizia a grande mes­tra Agrippina Vaganova que o bat­te­ment tendu é o fun­da­mento da téc­nica do bal­let.

Quando falo sobre os bat­te­ments ten­dus aos meus alu­nos, explico que, na ter­mi­no­lo­gia do bal­let, eles sig­ni­fi­cam “bati­men­tos esti­ca­dos”. Além disso, que são movi­men­tos de extrema impor­tân­cia para o bom desen­vol­vi­mento do tra­ba­lho dos mem­bros infe­ri­o­res no bal­let. São com estes pri­mei­ros bati­men­tos que vamos pre­pa­rar o corpo para os peque­nos e gran­des lan­ça­men­tos na barra, e que depois serão res­pon­sá­veis pela boa uti­li­za­ção dos mem­bros infe­ri­o­res nos giros, sal­tos e ele­va­ção das per­nas no centro.

Para come­çar a exe­cu­tar um bom bat­te­ment tendu, o aluno ini­ci­ante já deve com­pre­en­der a sua impor­tân­cia. Manter a rota­ção externa iso­me­tri­ca­mente durante todo o exer­cí­cio e a pelve neu­tra é con­di­ção impres­cin­dí­vel, como já foi fri­sado nas últi­mas duas pos­ta­gens. Tendo como exem­plo um bat­te­ment tendu à frente com a perna direita, deve-se aten­tar para a base que, além de man­tida em rota­ção externa, deve supor­tar o peso do corpo, para que a outra perna possa tra­ba­lhar. Ao sair, os dedos des­li­zam pelo chão até a com­pleta plan­ti­fle­xão (ima­gem), lembrando-se de man­ter sem­pre os pés em ever­são (ima­gem). Na volta, deve-se nova­mente des­li­zar os dedos e com isso fazer um tra­ba­lho de con­tato cons­tante com o chão. Em um pri­meiro momento, este tra­ba­lho é feito na 1ª posi­ção dos pés à frente e ao lado. Melhor dei­xar para tra­ba­lhar a perna atrás quando o aluno esti­ver mais cons­ci­ente da dis­so­ci­a­ção dos mem­bros infe­ri­o­res em rela­ção à pelve. Posteriormente, deve-se evo­luir para as posi­ções mais fecha­das (3ª e 5ª).  Muscularmente falando, o tra­ba­lho da plan­ti­fle­xão dos pés é um for­ta­le­ci­mento das mus­cu­la­tu­ras extrín­seca e intrín­seca dos pés e dos dedos, que vão per­mi­tir uma maior força nas impul­sões e na manu­ten­ção das bai­la­ri­nas nas pontas.

É muito impor­tante que o pé atinja sem­pre o mesmo lugar, à frente, ao lado e atrás. Costumo ori­en­tar meus alu­nos que, devem dire­ci­o­nar as pon­tas dos dedos na dire­ção do cal­ca­nhar da perna de base, res­pei­tando sem­pre os limi­tes da sua rota­ção externa máxima.

Outra obser­va­ção impor­tante é sobre a ques­tão dos tem­pos. No iní­cio, os bat­te­ments ten­dus são fei­tos len­ta­mente, sem acen­tos brus­cos para que o aluno possa apre­en­der o tra­ba­lho. Já nas clas­ses adi­an­ta­das, estes bati­men­tos podem e devem ser mais ace­le­ra­dos. Em geral, a acen­tu­a­ção do bat­te­ment tendu é dire­ci­o­nada para den­tro, bus­cando retor­nar à posi­ção fechada. Porém, nada impede que o pro­fes­sor possa tra­ba­lhar os acen­tos para fora.

Fonte das ima­gens: www.auladeanatomia.com

À medida que o tra­ba­lho vai ficando mais ela­bo­rado, estes exer­cí­cios pas­sam a uti­li­zar a coor­de­na­ção das cabe­ças, dos bra­ços com os mem­bros infe­ri­o­res agre­gando assim mais bri­lho ao trabalho.

Em momento algum o bai­la­rino deve per­der o obje­tivo que per­meia este exer­cí­cio, que é o de usar o chão e ganhar força, velo­ci­dade e agi­li­dade. Como nos pliés, este passo vai acom­pa­nhar o aluno/bailarino do pri­meiro dia de aula até o último.

Enfim, o bal­let é uma arte que exige um conhe­ci­mento minu­ci­oso de cada exer­cí­cio. Esmiuçar os deta­lhes do nosso tra­ba­lho cor­po­ral coti­di­ano é um dos cami­nhos para melho­rar nossa dança e supe­rar as difi­cul­da­des dessa tão bela arte.

Bjs, Helô

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